Tuesday, March 27, 2007

A Volta - VI


Monólogo.


Noite de verão em Águas Negras.
Julho de 1958.
Numa noite quente como esta, até mesmo as sombras precisam se refrescar.
Uma brisa leve bate.
Da cobertura do edifício St. Damien tem-se uma visão privilegiada do centro da cidade, seu lago, suas boates sempre ferventes. Os transeuntes que vem e vão feitos formigas sobre uma forma de bolo.
Ao longe, ouve-se o barulho de uma buzina, uma freada mais forte. Todas as luzes néon do centro, que iluminam a vida noturna daquela cidade. Os Outdoors com anúncios de pastas de dentes, refrigerantes e cigarros. Os de cigarros costumavam ser meus preferidos. Sempre com fotos de belas mulheres com longos cabelos negros, belos seios e roupas diminutas, as famosas Pin-Ups, com seus cigarros no canto da boca, sujando a ponta com seu imaginário batom vermelho – cereja. Eu costumava perder horas olhando-os brilhar ao longe, imaginando-me com uma daquelas mulheres.
A brisa aumentou um pouco, e eu começo a sentir um pouco de arrepio nos braços.
Em partes, pela camisa regata que uso. Em partes, pelo álcool que eu ingeri. Em partes, pela dor que sinto.
Faz 21 horas que minha mulher foi assassinada e tudo o que eu fiz foi beber e chorar.
E a dor que sinto é algo que não pode ser explicado. Ah, Christine, de todas as coisas que eu fiz na minha vida, você foi a única que me fez feliz.
Eu queria agora levantar da minha cama, empapado de suor frio, e tremendo. Passar a mão na testa e olhar para o lado, só pra ver seu belo corpo deitado, coberto por um fino lençol de seda. Queria sentir o cheiro de seus cabelos, e o calor de seu corpo.
Queria voltar a me sentir completo.
Ouço sua voz se misturar ao vento, e fugir de mim.
Sentado aqui, na beira da cobertura, eu me sinto mais perto de você.
25 andares até o chão. 75 metros.
Como será a dor? Será maior do que a que eu já sinto? Talvez eu morresse antes mesmo de acertar o chão. Talvez eu visse Deus frente – a – frente. Se isso acontecesse, eu poderia perguntar por que ele deixou que te tirassem de mim!
Hmm...Seria horrível deixar meu corpo cair 75 metros, chamar por Deus todo poderoso e sentir pela última e derradeira vez que ele não existe, e que a tal Providência Divina jamais me favoreceu.
Deus não existe. Nem nunca existiu! Desgraçado!
Em pé no para-peito eu consigo sentir tua mão tocar meu rosto Christine.
Eu já estou indo meu amor! Eu já vou me encontrar com você! Espere por mim querida!
APODREÇA NO INFERNO SANTO JOE!
Grito a plenos pulmões, minha garganta dói e os pombos que fizeram ninho na cobertura acordam e voam assustados.
Ouço um grito de volta. Cale a boca ou algo parecido.
Fecho os olhos, e o chão me parece mais perto. Aperto os olhos com força. Uma profunda e ultima inspiração. Uma lágrima escorre.
Caio de joelhos. Nem de ceifar a própria vida eu sou capaz! Inútil.
Desço do para-peito e entro em meu apartamento. Abro outra garrafa, sento no sofá e deixo o tempo passar.
Encontro uma calcinha sua. Vermelha como o batom daquela Pin-Up, porém real. Era a nossa preferida. Coloco-a toda dentro de minha mão direita, sento no sofá e com a mão esquerda eu pego a segunda garrafa da noite.
Um belo tapete branco felpudo recobre o chão daquela sala. Sofá de cinco lugares em forma de meia lua frente à televisão. Um bar feito de madeira em cor mogno com diversas garrafas e taças sobre ele.
Na parede, quadros por toda a parte.
E na poltrona de couro preto, muito macia, um homem, arrasado por suas escolhas, encontra uma última dose de conforto em uma profunda garrafa de Jack Daniel’s.
O tempo há de curar minhas feridas.
O tempo cura tudo.
É só deixa-lo passar.
E ele vai passar.

Julho de 2003...

Sunday, February 11, 2007

A Volta - V

Capítulo III - Christine

Noite de verão em Águas Negras. Numa noite quente como esta, até mesmo as sombras precisam ir às ruas e se refrescar.

Julho de 1958.

Após ótimas horas em Hot Paradise, Russ e sua mulher, Christine, tomam o caminho de volta para casa.

Russ, na época com seus vinte e um anos, pousa seu paletó preto, com riscas douradas sobre o ombro de Christine, para abrigá-la do sereno que, mesmo em uma noite quente como aquela, teima em cair sobre a cabeça dos transeuntes. Aquele vestido que ela está usando é mesmo uma beleza, mas não a protege do mau tempo.

Ah, Russ havia gasto muito dinheiro com aquele vestido. Uma bela peça. Vermelho, com uma linda fenda na lateral direita que deixava à mostra a perna lindíssima de sua esposa.

O decote do vestido servia para algo mais que mostrar o belo colo de Christine. Ele estava lá para mostrar o colar de diamantes que enfeitavam o pescoço de sua estimada esposa.

A sandália que ela usava tinha o tamanho dos pés de um anjo. E era igualmente incrustada com diamantes e fios de ouro 18K.

Mais que uma esposa, Christine era um troféu. Um troféu que Russ gostava de exibir.

Apesar das aparências, Russ sabia o seu lugar. Sabia que não era ele quem mandava na cidade. Sabia a quem devia respeito.

Russ só não sabia mentir.

- Ah amor. Obrigada pela noite de hoje. – Disse Christine, com a voz embargada pelo sono e pela quantidade relativa de bebidas alcoólicas que ela havia ingerido.

Russ limitou-se a responder com um sorriso e uma delicasde piscada. Christine pisa em falso e por pouco não cai na rua. Russ apressa-se em ampará-la.

Nos braços de seu marido, e com o rosto voltado para cima, Christine disse:

- Olha só amor. Até as estrelas saíram para se refrescar esta noite.

Russ olha para cima e perde alguns segundos admirando a imensidão do firmamento, que parecia ter sido borrado com tinta prateada.

- Estão olhando pra você amor. Todas elas.

Uma limusine bordeaux pára ao lado do casal. Uma porta abre-se.

Russ é pego de sobresalto. Ao passo que ajuda sua mulher a se recompor, ele fita a limusine.

Russ a conhece. Sabe de quem é.

Antes que qualquer som fosse emitido, ele coloca Christine dentro do veículo, olha pro céu por mais um minuto, também entra.

A limusine começa a andar.

- Acha que pode me enganar Russ? Acha que pode armar pra mim?

Essas palavras soam no interior da limusine, mas é como se Russ não pudesse absorver nenhum som.

Ele apenas olha, fixa e pesarosamente para o banco onde sua mulher está.

- Russ! Diga-me, onde está!

Russ não consegue emitir uma só palavra sequer.

A limusine pára, 15 minutos depois de iniciar o movimento.

O homem velho que perguntava coisas a Russ desce da limusine. Do outro lado, um jovem rapaz também desembarca.

Russ fica dentro do carro, olhando para o banco onde sua mulher jazia. Com uma marca no centro de sua testa, da qual um filete de sangue escorre, por entre os olhos.

Ele continua em silêncio.

Vozes exaltadas no exterior do veículo. Risos. Alguém está rindo.

Russ ouve uma conversa, mas não entende o que se está acontecendo.

Um estampido. Um tiro. Sem o silenciador.

Gritos. Outro tiro.

A porta ao lado de Russ se abre.

- Você! Ajude-os a jogar o corpo.

Russ continua quieto, sentado.

- Anda, seu idiota! Ajude-os a jogar o corpo. EU sou seu novo chefe agora.

Disse um jovem Jack Hattinger. Filho do homem que havia matado sua mulher.

Uma lágrima escorre do olho esquerdo de Russ. Ele obedeceu.

Friday, February 09, 2007

A Volta IV

Cap II - Uma Questão De Vida E Morte.


Chovia naquela noite em Águas Negras. Uma chuva fraca, porém insistente, incômoda, fria.

Os carros passavam com cautela pelas ruas estreitas, e os semáforos haviam sido desligados.

O relógio no pulso de Philip Per marcava uma e meia da manhã.

Philip usava calças pretas, com um sapato de couro preto, camisa de manga longa cinza e um paletó preto. Sobre o conjunto, um sobretudo, para abrigar-se da chuva.

Philip entrou em um lugar chamado Hell, a boite mais movimentada de Águas negras.

Caminhando em sua direção, veio o radiante ser de um metro e sessenta e cinco, corpo esculpido manualmente pelo Criador. Cabelos longos, espessos e morenos adornavam-lhe a cabeça. Lindas Opalas lhe foram concedidas como olhos, e lábios tão vivos que faria qualquer um sentir vontade de também estar. Michelle era seu nome.

- Posso lhe ajudar, senhor? – Disse Michelle, apanhando o sobretudo molhado de Philip.

- Qual seu nome garota? – Philip indagou, após dar-lhe o sobretudo.

- Michelle. – Disse a moça.

- Muito prazer Michelle. Me chamo Philip, mas por favor, chame apenas de Phil.

- Pois bem, Phil. – Disse, Michelle, enfatizando o “Phil”. Ela achava graça no fato de os homens tentarem ser gentis num lugar como aquele.

- Tome um drink comigo Michelle. Eu faço questão. – Disse Phil, já sentado em um dos bancos do bar.

- Certo, peça um Dry Martini pra mim e leve ao quarto 303. – Disse Michelle, com uma leve alteração no timbre de sua voz.

No quarto, Michelle já o esperava, trajando uma bela camisola transparente. Deitada em uma cama de formato oval, aquela cena seria capaz de fazer qualquer homem esquecer de seus planos. Mas não naquela noite. Phil sabia bem o que queria.

- Vamos brincar querida. – Disse Phil, desabotoando sua camisa.

- Claro amor. Qual vai ser o jogo hoje?

- Polícia e Ladrão. – Disse Phil, colocando o distintivo, e um par de algemas sobre o criado-mudo.

- Ótimo amor. Quem vai ser o ladrão?

- Você querida. – Phil sussurrou, e um sorriso estranho iluminou-lhe a face.

Phil juntou os braços de Michelle e os colocou próximos à cabeceira da cama. Em seguida algemou-os, prendendo Michelle.

- Vai querido, faça o que quiser comigo. – Disse Michelle, fingindo estar gostando do momento.

- Pode ter certeza. – Sussurou Phil, de uma forma que só ele ouviria.

Phil retirou de um de seus bolsos um lenço e colocou-o sobre a boca de Michelle, de modo que ela não pudesse fazer nada além de gemidos.

Em seguida, retirou do bolso interno do paletó uma peça feita de fibra de carbono, com encaixe para os quatro dedos. Aquela peça jamais seria detectada em um aparelho detector de metais.

Ajoelhado sobre a cama, Phil passou dez minutos de sua vida a desferir socos na face e tronco de Michelle.

- É por causa de lixo como vocês que esta cidade está como está. SUAS HIPÓCRITAS! VENDEM-SE COMO SE FOSSEM OBJETOS! NOS FAZEM ACREDITAR QUE SOMOS REALMENTE IMPORTANTES PRA VOCÊS!

Neste momento, Phil parou de socar e olhou para o rosto desfigurado de Michelle.

Aquilo que outrora fora uma das mais belas obras da natureza, agora já não passava de um amontoado de carne e sangue. Um líquido branco escorria de um dos globos oculares dela e via encontrar-se com o sangue que saía de sua boca. Sangue morto. Corpor morto.

Phil vestiu seu paletó, saiu do quarto e foi embora.

Na rua, Phil andava aliviado. Tinha acabado de cumprir sua tarefa. A chuva agora já não passava de uma fina garoa. Phil retirou do bolso um maço de cigarros Lucky Strike e acendeu um. Andava apressado, mas parou por um momento, para acender seu cigarro.

Notou que sua camisa estava suja de sangue.

Tateou seus bolsos em busca de um lenço e percebeu que havia deixado algo muito mais valioso para trás.

Seus distintivo! Estava na cena do crime. Não tardaria para alguém encontra-lo, se é que já não o tivessem feito.

Precisava voltar à boite. Recuperar seu distintivo.

A chuva voltara a cair forte, e o cigarro de Phil havia apagado.

“Hell” estava só a três quadras dali, Phil poderia voltar correndo, ninguém o notaria.

Phil voltou à boite, entrou no quarto 303 e apanhou seu distintivo.

O cheiro de sangue naquele quarto estava se tornando insuportável. Phil desceu.

Foi embora.

A chuva estava mais forte ainda, e Phil mal conseguia enxergar.

Mas andava satisfeito. Havia feito o que deveria fazer. E niguém se importaria. São como baratas. Sempre existe outra.

Phil cantarolava uma de suas canções preferidas. Mas nunca conseguia lembrar o nome.

“Start Spreading The News”. Era assim que ela começava.

Phil deixou seu distintivo cair em uma poça. Merda! Justo numa poça? Com aquela chuva, ele levaria o dobro do tempo normal para acha-lo.

Abaixou-se, enfiou a mão dentro da poça.

Uma luz forte o cega. Muitos watts de potência.

Phil sequer tem tempo de apanhar o distintivo, quando o pára-choque do Cadillac vermelho, ano 59 acerta-lhe a cabeça, fazendo com que seu corpo gire por sobre o carro, e caia já sem vida, dentro da mesma poça em que estava seu distintivo.

Um acidente. Mais um para os autos de Águas Negras. Uma madrugada chuvosa, semáforos desligados. Os carros perdem estabilidade.

E o homem estava abaixado no meio da rua. ninguém o teria visto.

O Cadillac pára alguns metros adiante. E começa a voltar de marcha a ré.

O motorista pára ao lado do corpo de Philip Per. A porta abre-se, mas não muito. Apenas o suficiente para que uma mão do motorista pudesse passar.

O motorista solta uma medalha, com a imagem de São Pedro, sobre o cadáver. A porta se fecha.

Embreagem, primeira marcha, acelerador. O carro ganha velocidade e some, em meio aos pingos de chuva.

Monday, December 04, 2006

A Volta III

*notas do autor*
a sequência temporal desta novela vai ser, por vezes, quebrada.

Cap. I - Jack Hattinger
------------------------------------------------------------------------------------------------
Águas Negras é uma cidade muito bonita para se olhar. Belos parques, muitas árvores, o local perfeito para passar um final de semana. Mas em se tratando de política, é um dos lugares mais vis que já existiram.
Desde que Sebastian Deepwater, fundador da cidade, chegou àquele pedaço de terra e iniciou lá um povoado, começaram as notícias de corrupção e a posterior fama de que Águas Negras é uma cidade de ladrões e mafiosos.
Jack Hattinger nasceu naquela cidade em 1939, e já carregava consigo o estigma que todos os habitantes da cidade conheciam e temiam: o sobrenome.
Seu pai, Joseph Hattinger foi o mais ilustre mafioso de Águas Negras, nas décadas de 30, 40 e 50. Conhecido por ser o pioneiro do tráfico de bebidas alcoólicas naquela cidade, na época da Lei Seca, famoso por seu império e temido por sua reputação de ser um mafioso impetuoso, Joseph Hattinger ou Santo Joe, como era chamado entre as “famílias” de mafiosos, por sempre andar com uma corrente dourada, com um pingente de São Pedro, fez fama naquela cidade.
Seu filho, Jack, seguia os mesmos passos do pai, mesmo ainda na escola. Certa vez, na quarta série, quebrou o maxilar de um garoto com um soco, pois esse não tinha cumprido o prazo de uma semana para lhe devolver um livro. Após o incidente, Jack olhou para o garoto e disse: Isso foi só um aviso.
Jack “Hat” Hattinger sempre foi um grande garoto. E grande, não no sentido figurado. Dono de ossos largos e grande estatura, sempre foi o maior da sala. Chegou até a entrar pro time de futebol no ultimo ano do colégio.
Quando terminou os estudos, já com dezoito anos, Jack Hattinger entrou para a “família” da qual seu pai era chefe. Ficou conhecido como Hat, uma redução de seu sobrenome e também um apelido, pois Jack nunca tirava seu chapéu coco negro.
Jack era tão ambicioso quanto, ou até mais que o próprio pai, o que lhe garantiu que, ainda com 19 anos, já ocupasse o segundo mais alto posto dentro da máfia. Mérito próprio, é bom ressaltar.
Hat logo ficou conhecido por ter puxado todas as características do pai e até algumas mais, no quesito violência. Em sua primeira ação nas ruas, ele amarrou os braços de um dos devedores de seu pai. Em seguida, fez um corte em seu rosto e mergulhou a cabeça do devedor em um tanque com piranhas.
Em uma outra “cobrança”, ele fez com que a boca do devedor ficasse aberta, e depois despejou garganta adentro dois quilos de sal de cozinha.
Isso chamou a atenção inclusive de Santo Joe. A violência empregada por seu filho estava fazendo mal para os negócios. Ninguém mais queria fazer acordos com Joe, seu estoque de bebida aumentava assustadoramente. Para ajudar, Joe estava ficando velho, e a prefeitura, por vontade dos “bons moços” influentes na cidade, fez com que as rondas se intensificassem nas ruas, sobretudo durante a noite. “Alguém será preso” - dizia o prefeito em seus comícios – “Águas Negras voltará a ser um lugar para pessoas de bem”.
Em uma noite de inverno, após uma cobrança na qual ambos, pai e filho, estiveram envolvidos junto com mais dois comparsas, a primeira mudança na Máfia de Águas Negras aconteceu.
- Precisamos conversar. - disse Santo Joe.
- É, é sim. Vamos lá. – replicou o jovem Hat, na época com 20 anos. No final da década de 50, quando drogas como LSD, Weed e pó começaram a surgir. Hat experimentou pó duas ou três vezes em sua vida. Infelizmente, aquela era uma das vezes.
- Você está fodendo com os negócios.
- Que merda de papo é esse?
- Os estoques encalharam, os compradores diminuíram. E pra piorar – Neste momento, Joe deu um tapa no rosto de Hat. Seu lábio sangrou. – pra piorar você está consumindo nossa mercadoria!
Hat limpou o sangue de seu lábio com as costas da mão esquerda. Deu um riso.
- Do que é que você sabe? Seu velho idiota! Tráfico de bebidas não dá mais lucro! Mortezinhas convencionais não assustam mais ninguém. Até seu amigo prefeito está atrás de você! VOCÊ é a vergonha da Máfia!
Joe, que já estava nervoso, ficou ainda mais ao ouvir estas palavras.
- Insolente. – Murmurou Joe, enquanto abria o paletó, em busca de sua arma preferida: Uma Magnum 380 silenciada. Infelizmente na máfia não há lugar para perdão. Mesmo tratando-se do próprio filho, Joe teria que fazer o que era adequado. Mas enquanto buscava por sua arma, Joe ouviu um riso, e sua espinha gelou, ao ver seu filho brandindo a arma, bem à sua frente.
- Procurando isto, papai? – disse Hat, cinicamente, com um sorriso estranho em sua face. Um sorriso que mais parecia uma imagem ampliada da boca original de Hat. Como se alguém houvesse esticado seus lábios, mas mantido o tamanho original de sua face.
- Como é que você... – Joe não teve tempo de terminar a frase, pois Hat havia puxado o gatilho. Um projétil veio na direção de Joe, atravessando-lhe o cenho.
Joe caminhou lentamente até o cadáver do pai, ainda mantendo o sorriso na face, que ficava ainda mais macabro na companhia daquele par de olhos arregalados e vermelhos. Uma expressão de louca satisfação. Ao chegar ao lado do pé esquerdo do pai, Hat abaixou-se, retirou do pescoço do pai a corrente com a imagem do santo e disparou mais cinco vezes. O sangue espirrando e salpicando-lhe o rosto com minúsculas gotinhas avermelhadas.
- É por causa de merdas como você que essa droga de cidade não evolui. Pulso firme pai! Pulso firme! – Hat gritava, como se dessa forma o cadáver do pai lhe pudesse ouvir. - Começa agora um novo tempo. E vocês dois, livrem-se desse corpo!
Mandou demolir a casa de seu pai e, no lugar, construir um prédio pequeno, mas com um amplo porão. O pequeno prédio recebeu uma pintura barata, algumas mesas e cadeiras. Um balcão ao centro e iluminação adequada.
Dali para frente, aquele era o novo disfarce da Máfia em Águas Negras. Um pequeno “pub” durante o dia e um verdadeiro Centro de Convenções durante a noite.
Hat amadureceu enquanto chefe da Máfia e desenvolveu uma “assinatura” para os assassinatos que cometia: O pingente com a imagem de São Pedro.
Em cinco anos, a Máfia se fortaleceu e fez aliados poderosos naquela cidade, mas a caça às bruxas persistia.
Hat criou seu próprio bando, que incluía o filho do então prefeito da cidade, o playboy John D. (que só estava no bando para garantir a integridade da Máfia), o maníaco Thomas J. Ice, o mais novo funcionário público da cidade, Friederich Füher, alguns dos antigos comparsas do pai e o recém regresso à cidade, George Fooltrap.
Em um fatídico fim de tarde, enquanto voltava pra casa, Thomas J. Ice foi pego pela polícia e obrigado a contar onde Hat se escondia. Tom Polegar deu à polícia o endereço da casa de Hat. Quando chegaram ao local, mal podiam acreditar no que viam. Foram necessários 3 caminhões para retirar os artigos comprados com dinheiro sujo da casa de Hat. Quadros, motos, carros, liquidificadores e até um aspirador de pó foram apreendidos. A casa foi demolida e o terreno foi leiloado. Tudo o que pertencia à Hat foi tomado. Menos seu bar e as coisas que lá estavam. Isso foi arranjado graças à sua “amizade” com o então prefeito, e ele assegurou que o bar permaneceria sob os cuidados de alguém da confiança de Hat.
Dentro da cadeia, Hat adquiriu conhecimentos valiosíssimos. Aprendeu, sobretudo, a quem subornar para conseguir certas regalias.
Por exemplo, sair mais cedo da cadeia.
Hat fora condenado a 30 anos. Tecnicamente cumpriu quinze e, na prática, ficou um ano e meio encarcerado.
Ao sair, reassumiu o controle de seu bar. A Máfia havia se dissipado completamente, mas ainda havia no ar a suspeita de que talvez ela se reunisse novamente. Portanto, Hat ficou em seu bar, agindo sob o pano, controlando marionetes por 13 anos e meio.
Sob o pseudônimo de Santos.
Daquele momento em diante, Jack “Hat” Hattinger era o presidiário número 134562, que cumpria pena na Prisão Federal de StoneFields, e Santos, era um mero dono de bar que havia chegado recentemente à cidade.
Muitas coisas aconteceram desde então. O prefeito morreu, e seu filho, John D, assumiu o cargo. Este intensificou as rondas policiais, sobretudo nos quarteirões próximos ao Bar. Ele tinha a certeza de que Hat voltaria, mas agora, como prefeito, não lhe interessava estar no bando de um mafioso.
Os comparsas de Santo Joe foram encontrados mortos, nas proximidades do bar, e isso, somado às rondas fez com que boatos fossem iniciados a respeito daquele lugar.
Alguns diziam (com certa razão) que Santos era ex. presidiário de StoneFields, e que tivera sorte, pois poucos saem de lá com vida. Outros diziam que Santos era o filho de Hat. Boatos apenas. Ninguém poderia provar, ou mesmo acreditar que aquele homem era Hat. Ele havia ganhado peso, estava careca e com uma cicatriz no queixo. Os ternos elegantes deram lugar a uma camiseta regata manchada de suor.
Mas continuava sendo o mesmo Hat de antes. De dentro de seu bar, controlou superintendentes, professores, bispos, médicos, comerciantes e afins. Tudo corria sob o controle de Hat. Tudo menos a polícia. Enquanto as coisas corressem a seu favor, Hat, ou melhor, Santos, continuaria em seu bar, comandando a cidade.
Mas um incidente, envolvendo duas de suas marionetes o fez sair de sua toca.
Hat estava de Volta!

Saturday, November 25, 2006

A Volta II

Prólogo - Reflexos (pt. 2)
------------------------------------------------------------------------------------------------

Thomas sabia o que aquela notícia significava. Sabia que ele estava voltando. Isso se já não estivesse de volta. Lembrou de como ele pode ser cruel. Lembrou do episódio na Ponte da Cidade, quando ele jogou um de seus desafetos da ponte, com suas mãos amarradas para trás e o pára-choques de um furgão amarrado ao seu pescoço. E, além de tudo, Thomas sabia que seria perseguido por ele. Hat tinha motivos para odia-lo, afinal, Thomas o havia entregado. Havia delatado seu “patrão”. Sentiu náuseas. Arrependeu-se de ter tomado seu café da manhã enquanto lia o jornal.
Passou o resto do dia pensando em como ele poderia ter saído da prisão. Stonefields não costuma deixar que alguém saia de seus portões. Aquele lugar era como uma Prévia do Inferno. Na verdade, poderia ser até pior. E sua condenação, se bem lembrava, era de 30 anos, sem possibilidade de Condicional. E apenas 15 anos haviam se passado. Metade da pena. Como poderia estar do lado de fora? Suborno? Claro, só poderia ser isso. Hat também era conhecido por seus subornos quase que milionários. Certa vez, pagou, em espécie, 50.000 libras para não ter uma arma, cujo valor não era superior a 2.000 libras, apreendida. Valor pessoal, dizia ele.
Thomas estava em seu modesto apartamento à noite. Para aumentar ainda mais seus temores, a energia do bairro todo havia caído. Em sua pequena e escura sala-de-estar, iluminada fracamente apenas pela luz da lua que entrava pelas frestas da cortina, sua imaginação lhe pregava peças, como que testando seus limites. O cabide perto da porta, com seu casaco pendurado, se transformava em Hat lhe observando. O farfalhar de folhas em sua varanda, transformava-se em passos. Na janela, havia milhares de olhos lhe observando. Thomas começava a ficar nervoso com aquela situação. Resolveu tomar alguma coisa e tentar dormir. Abriu sua pequena geladeira branca, retirou a fôrma de gelo. Colocou três cubos em um copo e voltou a guardá-la. Em seguida, abriu o armário marrom de puxadores prateados que ficava acima da geladeira e retirou uma garrafa de Whiskey. House of Lords, 18 anos. Ainda estava lacrada. Serviu-se de uma dose dupla, tampou a garrafa e guardou-a. Tomou quase metade do liquido de um gole só. O gelo estalava no copo, e tilintava, conforme Thomas o chacoalhava. Thomas olhou para o relógio digital em seu pulso. Uma seqüência de pequenas barras verdes anunciava: já passava das duas da manhã. As noites se arrastam durante verão em Águas Negras. Thomas terminou seu copo e foi se deitar.
Retirou sua camisa regata branca e desamarrou os sapatos. Em seguida, retirou a calça jeans preta. Deitou-se de cueca em sua cama de casal. Umas das coisas boas de se morar na parte velha de Águas Negras era que os apartamentos geralmente estavam mobiliados. Aliás, o único ponto baixo era a faixa etária da vizinhança – seu vizinho mais novo tem 67 anos -, fora isso, Thomas não podia reclamar. O aluguel era barato, o apartamento estava mobiliado, não havia problemas com barulho depois das dez da noite. Thomas rolou na cama por horas a fio. Quando estava pegando no sono, Thomas ouviu um barulho, vindo de sua sala de estar. Foi verificar o que era. Viu seu vaso de vidro verde-esmeralda – um dos poucos objetos de decoração - quebrado em diversos pedaços, no chão da sala. A cortina havia se enroscado nele, devido ao vento. Olhou em sua direção, e viu-a sacudir, ao sabor do vento. Mas Thomas havia fechado a janela, e disso ele tinha certeza. Chegou perto da janela e viu que havia um corte no vidro, na altura em que ficava a trava da janela, e que esta havia sido levantada. Engoliu a seco. Havia alguém dentro da sua casa e Thomas podia apostar o braço direito que sabia quem era.
Como que por instinto, virou-se na direção da sala. Ao fazer isso, viu-se frente a frente com seu passado. Um homem alto, forte, careca, vestindo um belo terno preto de risca, gravata vermelha e camisa preta. O homem retirou uma pistola Magnum silenciada de dentro do paletó. Em seguida, fitou Thomas nos olhos e disse, com uma voz grave, mas calma:
- Olá Thomas.
O homem centrou o cano da arma da testa de Thomas.
Um estampido rápido. Um último suspiro.
Thomas ergue seu tronco. Senta-se na cama e passa as costas da mão por sua testa, removendo o suor. Um suor frio, que só o medo causa nas pessoas. Um pesadelo. Aquilo tudo havia sido um maldito de um pesadelo.
Decididamente, a notícia de que Hat estava de volta à ativa acabou com os nervos de Tom.
Voltou à cozinha e serviu-se de mais Whiskey. Bebeu um copo inteiro de uma só vez. Pegou a garrafa pelo gargalo e sentou-se no sofá de sua sala, ainda sem luz.
Bebeu aquele líquido, de um marrom claro, de gosto forte, todo pelo gargalo. Quase um litro de Whiskey em praticamente 4 goles. Deitou-se em seu sofá.
Thomas não acordou no dia seguinte.
No Pronto - Socorro de Águas Negras, o telefone tocou.
- Pronto Socorro, bom dia.
- Uma ambulância! Rápido!
Em vinte minutos, uma ambulância parou na frente do prédio onde morava Tom. A ligação anônima havia dado o endereço. A porta do apartamento estava aberta, sem sinais de arrombamento. Apenas aberta, como se Tom houvesse esquecido de trancá-la na noite anterior. Uma hora depois, um saco plástico preto, preenchido com um corpo de 79 quilos, usando apenas uma cueca azul-marinho, deixava aquele prédio em Águas Negras, dentro de uma ambulância. A causa-mortis: Coma Alcoólico, seguido de convulsão e posterior sufocamento.
Antes de retirarem o corpo, a polícia tirou fotos da sala-de-estar onde fora encontrado. Em uma das fotos, a imagem retratada era a de Thomas J. Ice, ex. mafioso, deitado em seu sofá, com uma espuma branca e espessa a escorrer de sua boca semi – aberta. No chão, havia caída uma garrafa de Whiskey vazia. Seu braço direito pendia para fora do sofá. Entrelaçada em seus dedos, havia uma corrente de ouro. Nela, havia pendurado um pingente, cuja imagem dourada era a de São Pedro.

Monday, November 13, 2006

A Volta

Olá leitores, como vão?!
conforme prometido, entrego-lhes o começo de uma nova história. Prometo tornar esta trama muito mais complexa e interessante que as passadas.
Por hora, apreciem.
------------------------------------------------------------------------------------------------

Prólogo - Reflexos. (Pt. 1)

“Professor e Super-Intendente de Águas Negras mortos.

O Professor Widville e o super-intendente Friederich Füher foram encontrados mortos esta manhã, no apartamento de Füher.
Dois disparos foram efetuados. Ao que tudo indica, Füher teria matado Widville com um tiro no peito e depois se suicidou, com um tiro na testa.
A mesma arma foi utilizada em ambos os disparos , uma pistola Magnum 380.
Na cena do crime, também foi encontrado um pingente dourado, com a imagem de São Pedro.
A polícia tenta agora averiguar se existe relação entre essas duas mortes e o homicídio de George Fooltrap.”


Thomas J. Ice quase engasgou-se com seu café, quando leu essa notícia.
Thomas Ice era o tipo de cidadão indesejado. Já fizera parte do grupo de um homem conhecido como Hat, o maior mafioso que Águas Negras já conheceu. Naquela época, era conhecido como Tom Polegar. O motivo? Qualquer um que tivesse algum problema com Hat recebia uma visita de Tom Polegar. Sempre andando com seu cortador de charutos prateado, Tom entrava na casa da vítima, cortava seu polegar direito com o cortador de charutos, como forma de aviso. Aviso este que era o mesmo que dizer: você tem uma semana para nos pagar o que deve, caso contrário, nós mataremos sua família, incendiaremos sua casa e faremos você passar o resto da sua vida respirando por uma mangueirinha.
Caso a dívida não fosse paga, o próprio Hat iria fazer outra – e última – visita ao devedor. Então, Hat matava a família da vítima, matava a vítima – todos da mesma forma, um tiro na testa. - e incendiava a casa. Do lado de fora da casa, Hat deixava pendurada uma corrente dourada, e nela, um pingente com a forma de são Pedro. Esta era sua assinatura. O atestado de óbito de mais uma pessoa em Águas Negras.
Durante os anos dourados da Máfia em Água Negras, a cidade era comandada por Hat.
Contudo, 15 anos atrás, em uma bem sucedida batida policial, Tom Polegar foi preso.
Para seu azar, ele havia cortado o dedo do irmão de um dos policiais que haviam lhe capturado. A polícia de Águas Negras, apesar de corrupta, sabia trabalhar bem. E torturar.
Tom passou os três primeiros dias no cárcere sem dormir, sofrendo torturas em horários precisos. E essas eram várias: Choques elétricos, surras, queimaduras. Logo que chegou à delegacia, os policiais fizeram com que Tom passasse pelo “Corredor Polonês”, para que fosse “sovado”. Tom enfrentou cinco metros de policiais enfileirados, segurando seus cassetetes. Depois disso, um dos policiais foi até a cozinha e voltou, segurando uma lata de óleo de cozinha na mão esquerda e um pote de melado na mão direita.
Levaram Tom até um formigueiro que havia atrás da delegacia, amarraram-no e deixaram-no de bruços. Em seguida, passaram melado nas solas de seus pés e óleo de cozinha em suas costas. Deixaram – no exposto ao sol. Então, lançaram um pouco d’água no formigueiro, para atiçar as formigas saúvas. Pode-se imaginar o resultado de tal “experimento”.
Na terceira noite de cárcere, um policial entrou na cela de Tom às três horas da madrugada. Com uma pancada forte na nuca de Tom, o policial o desacordou.
Tom acordou nu, amarrado a uma estrutura em forma de “X”, feita com troncos de madeira.
Um dos policiais que presenciava a cena estava segurando um maçarico na mão esquerda, e um pedaço de fio de cobre, de aproximadamente 30 centímetros na mão direita. Aproximou-se de Tom, segurou seu pênis com precisão cirúrgica. Em seguida, o policial, introduziu cuidadosamente o fio de cobre na uretra de Tom, que grunhiu de dor e desconforto. O policial olhou para o rosto de Tom e disse:
- Vamos te assar por dentro, mafioso filho da puta!
Tom, ainda com uma forte dor na cabeça, e atordoado com as fortes luzes em seu rosto, não entendeu o que acontecia naquela hora.
Então, o policial apanhou o maçarico, acendeu-o e, para desespero de Tom – que começara a recobrar pleno domínio de sua mente - ,aproximou a chama da extremidade do fio de cobre que ficara para fora de sua uretra.
Após segundos de expectativa, Tom começou a sentir sua uretra ferver e gritou descontroladamente. Antes que os policiais pudessem retirar o fio de cobre, Tom desmaiou.
Acordou dois dias depois, ainda sentindo dores por todo o corpo, especialmente em seu pênis, que estava com uma espécie de bolha sobre sua glande. Um dos policiais aproximou-se de Tom e lhe disse:
- Você vai passar o resto de sua vida aqui dentro, apanhando todos os dias, a menos que nos responda uma simples pergunta.
Quatro dias depois, Hat, ou como constava em seu documento de identidade, Jack Hattinger, dava entrada na delegacia de Águas Negras. Em todos os jornais, falava-se de sua prisão. Sua ficha era extensa: roubos, tráfico, assassinatos, fraudes. A única coisa que não constava em sua ficha era o fato de ele pendurar santos nas portas. Isso era uma coisa da qual apenas os membros de seu grupo sabiam.
No dia do julgamento, foram ouvidas várias testemunhas, inclusive Thomas J. Ice.
Hat foi condenado a 29 anos de prisão. Sua ficha lhe obrigaria a ficar muito mais tempo preso, mas, já naquela época, o dinheiro falava mais alto.
No caminho entre a sala de julgamento do tribunal e o carro que o levaria à Prisão de StoneFields, os olhares de Hat e Tom se cruzaram. Tom viu a articulação de seus lábios e as palavras “Eu te pego.” se formarem. Tom também foi preso, mas cumpriu pena em outro lugar. Por ter colaborado com a prisão do mafioso mais procurado de Águas Negras e ter testemunhado contra ele, a pena de Tom foi reduzida a quatro anos.
Thomas cumpriu sua pena e saiu da cadeia, com marcas que iam além das cicatrizes deixadas pela tortura. Thomas verdadeiramente havia se arrependido de sua vida de crimes, ainda que poucas pessoas acreditassem nisso.
Passou os últimos onze anos trabalhando como carpinteiro. A única coisa que sabia fazer, além de cortar polegares, era talhar madeira. Ofício que desempenhava com certa destreza. Havia aprendido com seu pai e seu avô. Agora, após a morte dos dois, viu como havia sido útil passar as tardes de sua infância com os dois velhos.
Durante os anos de liberdade, Thomas sempre se lembrava daquilo que lhe fora dito quinze anos atrás, no dia da condenação de Hat. Lembrava e mantinha a esperança de que, nesses quinze anos, algo houvesse acontecido dentro dos muros de Stonefields.
Mas aquela notícia no jornal acabara de varrer suas esperanças.


To be Continued
(Os personagens são fictícios,embora muitos dados tenham sido baseados em pessoas reais)Direitos Autorais garantidos Copyright by Budéga's Inc.

Thursday, November 09, 2006

Da Imposição ao Ateísmo.

Olá leitores, como vão?!
É estranho, quanto mais as pessoas dizem eu respeitam sua opinião, mais fica evidente a hipocrisia contida nessa frase.
Hoje, em minha hora de almoço, não me lembro bem o porquê, surgiu o assunto Deus.
E me perguntaram se eu acredito Nele. Ante que eu pudesse responder, uma das pessoas que estava à mesa disse:
Ele não acredita.
Ao me perguntarem se era verdade o fato de não acreditar, eu apenas assenti com um breve acenar da cabeça.
Aí, a mesma pessoa disse:
É ateu, esse cara aí.
E desejei que esse assunto jamais tivesse vindo à tona. As acusações começaram. As mulheres religiosas diziam umas pras outras: É que Ele ainda não sentiu Deus presente na vida dele. A outra disse: É, ele ainda não passou por uma situação de necessidade.
E eu pensei: Diabos, e por que é que eu só sentiria Deus presente na minha vida em uma maldita situação de necessidade? Que Deus é esse que só se manifesta quando eu tô com um pé na cova e outro na casca de banana? Aí eu comecei a falar.
- O caso, não é que eu não acredite em Deus. Só não o faço da mesma maneira que vocês. Pra vocês, a relação com Deus funciona numa espécie de toma-lá-dá-cá. Eu rezei, eu vou pro Céu, eu não rezei, então rezem por mim.
Eu não imagino Deus como um Homem grande, de barbas grandes, que usa o mundo como um brinquedo.
Mas quem disse que eles entenderam?! Aí, o cara que disse que eu sou ateu, perguntou.
-
Ta, você não acredita em Deus. E no diabo, você acredita?
É, agora, além de tudo, eu sou Satanista
, pensei.
Enquanto isso, as mulheres continuavam assombradas com o fato de eu simplesmente não acreditar no Deus delas. Eu bem que poderia ter dito que deus foi a maior invenção dos homens e que a Bíblia é Literatura, mas resolvi não fazer isso. Essa é só a minha opinião. Além do mais, eu não queria iniciar uma Guerra Santa com ninguém.
E isso me retoma uma questão. Por que diabos os católicos, protestantes, evangélicos ou seja lá o diabo que eles forem, teimam em querer fazer com que eu acredite em Deus? E mais, eles teimam em querer fazer com que todos no Mundo siga a religião deles, pois esta é a religião certa. E quem não a segue vai queimar no Inferno.
Só que existem centenas de religiões certas. E bilhões de pessoas que seguem religiões diferentes. E, seguindo a lógica Bíblica, isso me leva a crer que todos nós arderemos nas chamas eternas do Inferno.
Fica a pergunta: Existe mesmo um Paraíso?
Texto com visão atéia? Não. Longe disso. Por que até o mais cético dos ateus chama por Deus na hora da dificuldade.

AMAURI&ARISTÓTELES

(parafraseando o final do texto)
Até o mais cético dos ateus clama por Deus em horas de dificuldade.