Tuesday, October 17, 2006

Culpa - Finale (Do Blog Novela - Segunda História)

Olá, caros leitores. Depois de um mês deixando-lhes curiosos por saber o que aconteceria a Dave, saciar-lhes-ei a sede por novos fatos, com o capítulo final da história "Culpa".
Aproveitem cada uma das linhas, saboreiem-nas com raro prazer, somente encontrado em espíritos que ainda cultuam a leitura. Estou longe de me tornar referência na Literatura Brasileira, mas acredito que faço minha parte enquanto escrevo, e vocês fazem vossas partes ao ler não apenas meu textos, mas também outros tipos de livros, como sei que o fazem. A mínima manifestação de interesse pela leitura já lhes vale muito, pois, através desa manifestação, vocês se distanciam de uma massa acomodada, leiga, turva e auto-segregada. E por isso, vocês desfrutam de todo o meu respeito.

Esse prólogo já se estendeu demais. Deixo-lhes com o tão desejado final. Boa leitura.

Dave estava decidido a fazer algo que mudaria completamente o curso de sua vida. E mais do que isso, mudaria o curso da existência da pequena cidade de Águas Negras.
Iria fazer aquilo que sentira vontade tempos atrás. Iria deixar aflorar o que havia de pior em si.
Desceu do carro e seguiu para a rua paralela à igreja, onde o bispo Fooltrap sempre parava seu carro. Levava em sua mão esquerda a abotoadura de Füher, e na mão direita, a adaga de vidro, feita com a garrafa de Red Label que Dave quebrara mais cedo naquele dia.
Já passava das seis e meia da tarde quando Dave encontrou o carro de Fooltrap. Sentou-se encostado em uma parede e aguardou. A apreensão, misturada à tristeza e a raiva fazia com que Dave suasse e desejasse um cigarro naquele momento. Infelizmente, o maço de Lucky Strike ficara no porta – luvas do carro de Daisy. Esta já fumava seu segundo cigarro, tamanho era seu nervosismo. Não sabia o que Dave planejava fazer, mas sabia que não seria bom.
Enquanto esperava pelo bispo Fooltrap, Dave usou a adaga de vidro para escrever na porta esquerda do carro a seguinte frase: SERÁ QUE SEU DEUS VAI TE PROTEGER?
A frase ficou gravada na pintura azul-metálica da Mercedez do bispo George Fooltrap. Este encerrou o culto e foi de encontro a seu carro, cerca de vinte minutos depois.
- Mas quem diabos pode ter feito isso?! – Perguntou a si mesmo Fooltrap, numa mistura de descrença e indignação.
Em seguida, um barulho alto e estridente, como o de uma vidraça quebrando, chamou a atenção do bispo. Este se voltou na direção da igreja e notou que o vidro da porta dos fundos estava quebrado. A ansiedade tomou conta de seu ser. Ele se sentia pequeno e impotente dentro daquela rua escura. Aquilo não era um acidente. Quem poderia estar arremessando pedras àquela hora da noite? Claramente era uma ameaça. Colocou as mãos nos bolsos, em busca da chave do carro. Encontrou-as, mas o nervosismo fez com que ele as deixasse cair no chão.
De repente, uma sombra, sons de passos. Fooltrap se vira na direção da sombra a tempo de ver um pedaço de garrafa ser cravado em seu pescoço, rasgando-o da direita para a esquerda.
Tentou gritar, mas já era tarde. O ferimento foi profundo, dilacerando não só sua carne, mas também suas cordas vocais e traquéia. Se não morresse de hemorragia, morreria sem ar. Fato é que morreria, era só uma questão de tempo.
Dave viu o corpo inerte de George Fooltrap cair ao chão. Quando finalmente se convenceu de que o matara, deixou ao lado do corpo, um presente para quem quer que fosse investigar a cena do crime. Voltou para o carro de Daisy.
- Vamos pra a minha casa. Precisamos pegar umas coisas.
- O que você fez Dave? – Dave mostrou a Daisy suas mãos sujas de sangue. Daisy olhou para Dave, mas não disse nada. Ligou o carro e foi para a casa de Dave.
Lá, eles arrumaram uma mala com roupas e dinheiro. Tanto Ana quanto Wes não gostavam de guardar dinheiro em banco, então mantinham todo o seu dinheiro em casa. Felizmente, para Dave e Daisy, ali havia dinheiro suficiente para que recomeçassem a vida em qualquer outro lugar. Bastaria que eles soubessem como administrar o montante.
Em seguida, foram para a casa de Daisy. Infelizmente, os pais de Daisy confiavam nos banqueiros, portanto, não havia sequer uma moeda naquela casa, além do dinheiro da mesada de Daisy. Contudo, ela possuía uma conta no banco, que seus pais, juntamente com seus avós, iniciaram logo que Daisy nasceu. Ela era a única pessoa que poderia retirar dinheiro daquela conta, mas só poderia faze-lo quando fosse maior de idade, o que aconteceria em duas semanas. Por ser uma conta antiga, que recebia três depósitos mensais diferentes, acrescidos de correção monetária e juros, Dave e Daisy podiam se considerar um casal de muita sorte, no que diz respeito a finanças.
Naquela mesma noite, Dave e Daisy saíram da cidade e se hospedaram num motel próximo.
Na manhã seguinte, a manchete em quase todos os jornais, orados e escritos era a mesma:

“Assassinato brutal do bispo da Primeira Igreja de Águas Negras choca a população.
O bispo George Fooltrap foi encontrado morto ao lado de seu carro esta manhã.
Na porta de seu carro, foi encontrada a seguinte inscrição:
‘SERÁ QUE SEU DEUS VAI TE PROTEGER?’
Junto ao corpo, foram encontrados pedaços de vidro, e uma abotoadura dourada, com duas letras F entrelaçadas.
A polícia suspeita que Friederich Füher esteja envolvido com o assassinato.”

Aquela notícia pegou a todos na cidade de surpresa. Apenas um casal não se surpreendeu com a notícia.
Füher foi acordado por um incessante bater em sua porta. Uma hora depois, ele estava na delegacia de polícia, prestando depoimento.
Widville estava em seu apartamento, sentado no sofá de sua sala. Em sua frente, sobre a mesinha da sala, um exemplar do Diário de Águas Negras. Em sua mão esquerda, uma garrafa de vinho. Em sua mão direita, um revólver calibre 38 carregado, apontado para sua têmpora.
Cinco vezes naquela manhã, Widville decidiu-se a estourar seus próprios miolos, e cinco vezes desistiu. Fraco. Não tinha culhões o suficiente para tanto. Não poderia tirar a própria vida, mas iria se vingar daquele que havia lhe tirado o que tinha de mais precioso.
Naquela tarde, Füher já havia voltado para casa. Às seis e meia, alguém novamente bateu em sua porta.
- O que aqueles vermes querem? Já não lhes paguei suborno o suficiente? Mas que ousadia. Ter que subornar policiais para não ser preso por um crime que sequer cometi!
Ao abrir a porta, Füher viu um Widville completamente diferente daquele com quem estivera no dia anterior. Um Widville transtornado, como que possuído por um espírito que não o dele. Entrou porta adentro, quase derrubando Füher. Bateu a porta da casa e em seguida gritou:
- VOCÊ O MATOU!
- Deixa de ser idiota Widville. Eu nem tinha razões pra matar o Fooltrap. Se eu fosse matar um de vocês dois, mataria você. – Füher disse isso enquanto gesticulava, brandindo seus braços em torno do corpo, como que querendo espantar uma teimosa mosca . E começou a rir. Um riso frenético, meio que forçado.
- Cale a boca. – Widville disse isso, e sacou de sua cintura o revólver calibre 38. Apontou-o em direção a Füher.
- O que vai fazer Widville? – Füher perguntou, enquanto encarava Widville. Duvidava que ele pudesse sequer disparar.
- Vinga-lo.
- Vai em frente idiota. A polícia suspeita de mim tanto quanto você. Mate-me e as suspeitas cairão sobre você.
Ao ouvir isso, o velho Widville começou a reassumir o controle daquela carcaça. Widville gaguejou, seu braço que fazia a mira oscilou por um instante. Por fim, ele disse:
- Ninguém me viu! – ao dizer isso, Widville recobrou a confiança, e novamente apontou a arma em direção a Füher.
- Não seja estúpido! Acha que a polícia não está montando cerco em minha casa? Acha que não estão me vigiando? – Estas palavras tiveram um impacto muito mais forte sobre Widville, que deixou a arma cair. Füher já estava perto de sua mesa, abriu a gaveta e sacou sua pistola Magnum, 380, silenciada.
- Sabe Widville, você nunca chegaria a lugar algum. Você é um fraco. – Füher dizia isso enquanto apontava a rama na direção do peito de Widville. - Um pobre coitado, de quem todos têm pena. Fooltrap era uma bicha idiota por ter se envolvido com um nada feito você. Estou com nojo de sujar minhas paredes com seu sangue. – Widville estava com seus olhos arregalados atrás de seus óculos. O medo estampado em sua face só não era maior do que a sensação de auto crítica, por ter acreditado na história do cerco policial.Como não percebeu que se tratava de um blefe? – Só prezo pela ousadia e coragem, ou devo dizer, burrice, que você demonstrou ao me ameaçar em minha própria casa. Dê meus pêsames ao Fooltrap lá embaixo. E diga a ele que vou ter que arrumar outro bispo pra ganhar dinheiro pra mim. Até um dia, Widville.
Widville sequr teve tempo e dizer alguma coisa, ou esboçar qualquer reação.
Com um barulho seco e pouco audível, um clarão repentino e breve, Füher pôs fim a vida medíocre de Widville.
O barulho alto de um corpo inerte batendo contra o piso de madeira de lei, e a poça que se formou do sangue que vazava incessantemente do buraco no peito de um corpo que outrora fora Widville apenas confirmou sua morte.


Meia hora depois, outra batida na porta de Füher o irritara novamente. Quem poderia ser desta vez? Os policiais? Se fosse o caso, como explicaria a presença de um corpo em sua sala de estar? Com mais dinheiro é claro. E muito mais desta vez, pois se tratava de um flagrante autêntico. Não, não eram os policiais. Contudo, ao ver aquela face em sua porta, Füher começou a achar que ter os policiais batendo em sua casa seria melhor.

- Por que você fez isso Füher? – Disse o homem que acabara de chegar. Em seguida, repousou os olhos sobre o cadáver caído ao chão. O cheiro de sangue ainda estava presente. Sua voz intimidou Füher, mas ele não deixou transparecer. Pelo menos, foi o que ele pensou.
- O que? Ah, Widville? Nada demais, ele veio até aqui e...
- Claro que ele veio até aqui! Eu o vi entrar. Não perguntei sobre isto. Perguntei sobre Fooltrap.
- Não fui eu senhor. Füher já estava suando copiosamente. Estava visivelmente nervoso e abalado. Não imaginaria que voltaria a vê-lo. Não sob tais circunstâncias. Ainda se lembra da última vez em que se encontraram. Ainda guarda as cicatrizes em suas costas. – Eu nem estava perto dele quando aconteceu e...
- Então como é que isso – Ele mostrou a Füher sua abotoadura – foi parar lá, ao lado do corpo?
- Eu não sei senhor. E...eu estava em outro lugar e...
- Chega Füher! Você sabe que não dou terceira chance a ninguém. Você teve sua chance e se enrolou. Toda a cidade está querendo te colocar atrás das grades! Chega Füher. – Ao dizer isso, Ele sacou uma pistola Magnum 380 silenciada, idêntica a de Füher. – Você me decepcionou.
- Senhor, não! Por favor nã...
Outro barulho seco e pouco audível cortou o ar outra vez. Um outro clarão iluminou brevemente a sala de estar. Uma pancada indolor. Outro corpo inerte caído ao chão. Sangue vazando por um pequeno furo em sua testa.
Um homem alto, gordo, forte e careca, trajando um belo terno negro, abandona aquela mórbida cena, deixando para trás dois cadáveres que levarão para o túmulo segredos que nunca devem se revelados. O homem forte pôs-se a dizer consigo mesmo, enquanto guardava sua arma:
- Terei que arrumar outro para gerenciar meus negócios. Bons fantoches estão cada vez mais difíceis de serem encontrados. Malditos! Por que não esquecem de uma vez de por todas do tempo que passei nos campos de pedras, assim eu posso voltar ao controle! Aquele lugar nojento em que me escondo está me deixando louco. Quem dera todos os dias algum maluco aparecesse por lá. – Deu uma olhada de relance para os cadáveres. Em seguida, concentrou-se no cadáver de Füher e voltou a dizer:
- Somos culpados por tudo aquilo o que geramos.
Saiu da casa e fechou a porta.

Espero que tenham gostado desta segunda novela. Mas espero que não tenham gostado muito, pois pretendo ficar um tempo sem escrever outra. Apesar das idéias se reproduzirem com espantosa rapidez, fazer uma novela dá trabalho, e eu estou sentindo falta de publicar meus textos descompromissados com continuações.
No mais, é isso. Recolho-me ao auto de minha superioridade intelectual para redigir um trabalho sobre cultura brasileira. Até mais ver.

3 Opiniões:

Ju said...

Putz... Muito bom!!!!! Pena q vc vai ficar algum tempo sem postar né!? Espero q não seja tanto tempo assim!!!
e... nham no fim todo mundo morre! uhuuuuuuu UAhauhauah Bem estilo seu né?!
E, a p´roxima história vai ser do que? Vc podia pelo menos dar uma prévia pra gente né?!

Cris said...

Como assim ficar sem postar??? NÃOOOOOOOO TUDO MENOS ISSO!!!!
Mas é verdade, textos descompromissados d fato são bem mais simples.

A cidade d fato ficou mexida, mas apesar d Dave ter saído impune e relativamente vingado, ainda assim a injustiça prevaleceu, já q a próxima marionete é facilmente encontrada, logo: TOTALMENTE REAL.

PARABÉNS!!!!

Little Dog.... não sei cmo dizer, mas eu simplesmente fico sedenta d mais e mais histórias......

Amo-te.

Bjos.

Mari said...

YEY! Adorei *_* ! Quero fazer um filme com a sua historia *__* ! I just loooooove it! : ) ! Yey ! Mto criativo! Mas eu napo vou encher a sua bola porque vc ja se acha demais! Finalmente linkei esse blog la no meu blog ^_^ ! XD ! Bjos coracao!